«tenho as pernas partidas mas consigo andar, venderam-me os olhos mas consigo ver, partiram-me o lápis com que acabo de escrever. corro numa tempestade monstruosa que amedronta vida e morte, terra e água. sou tão rápido que não me vêem, tão silencioso que não me ouvem, entregue de voltar e poder falar. encontro-me surdo no meio de tanto barulho libertado por este silencio que não me deixa falar e coloca qualquer um calado. mudo neste espaço de palavras, sinto-me tentado a fechar os olhos e gritar um rito escasso mas revoltante que acorda tudo e todos após mais 24h de puro sofrimento. lembra-te de mim.»

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